A Aliança pela Infância conversou com Ivani Magalhães, pedagoga e psicóloga, que será nossa palestrante no próximo Fóru

A abordagem visa informar para minimizar os efeitos das transformações que o brincar vem sofrendo ao longo do tempo. Atualmente, observamos que as crianças, especialmente as que vivem nos grandes centros urbanos, não brincam suficientemente ou não exploram adequadamente esta linguagem. Isto pode acarretar uma série de problemas em seu desenvolvimento global.

Há na atualidade a perda de espaços, físico e temém disso, em plena era da informação, brinquedos e aparelhos eletrônicos exercem grande fascínio em nossas crianças, que atraídas por estes objetos, deixam de se movimentar e interagir com outras crianças, adultos e o meio ambiente, com a presença de mudanças significativas nas formas de brincar, se comparadas às brincadeiras de antigamente.

Quando nos remetemos ao passado nos deparamos com situações lúdicas marcadas pela interação, gasto de energia e exploração do espaço físico, como brincar de esconde-esconde ou de subir em árvores, por exemplo. Cenas assim são cada vez mais raras hoje em dia, sendo comum encontrarmos crianças “brincando” sozinhas com jogos eletrônicos.

Quais são os principais fatores que influenciaram as transformações no brincar ao longo do tempo?

Com a crescente urbanização, as casas têm diminuído, as ruas, praças e parques não são acessíveis a todas as crianças, as famílias diminuíram, com a consequente perda de parceiros para brincar, como os irmãos e primos, além disso, o apelo ao consumo de brinquedos e outros produtos têm interferido diretamente nos temas e formas de brincar das crianças desta geração.

 Qual a relação entre o Brincar e o Espaço?

Há uma relação direta entre estes fatores quando consideramos o espaço como algo que vai além de espaço físico, constituindo-se também como possibilidade. É tarefa de todo adulto criar espaços que possibilitem o brincar, espaços estes que vão desde a criação de locais que potencializem a brincadeira e o encontro entre crianças, até a oferta de brinquedos adequados ao brincar criativo e o aproveitamento de situações do dia-a-dia para estar com a criança e envolvê-la em ludicidade, como o banho, as refeições e até mesmo durante a realização de tarefas escolares.

Qual a importância da Palavra no Brincar contemporâneo?

A Palavra é o elo nas relações entre as pessoas e, sobretudo, quando se brinca, a palavra dita, a palavra sentida, repleta de significações, tem o poder de aproximar, agregar, conhecer. A Palavra pode virar brinquedo! Com trava-línguas, parlendas, cantigas, histórias e poemas, rimos, nos divertimos e nos envolvemos.

“Dez passos para o sucesso do aleitamento materno” de acordo com a Organização Mundial da Saúde e a Unicef

Toda prestação de serviços de maternidade e cuidados para recém-nascidos devem:

  1. Ter uma política de aleitamento materno que seja rotineiramente transmitida a toda equipe de cuidados de saúde.
  2. Treinar toda a equipe de profissionais da saúde nas práticas necessárias para implementar esta política.
  3. Informar todas as gestantes sobre os benefícios do aleitamento materno.
  4. Ajudar as mães a iniciar a amamentação dentro de meia hora após o nascimento do bebê.
  5. Mostrar às mães como amamentar e como manter a lactação, mesmo se forem separadas de seus filhos.
  6. Não alimentar o recém-nascido com outro alimento ou bebida além do leite materno, sem indicação médica.
  7. Permitir que mães e bebês recém nascidos permaneçam juntos 24 horas por dia.
  8. Incentivar o aleitamento materno sob demanda do bebê.
  9. Não dar bicos artificiais ou chupetas para crianças amamentadas.
  10. Promover a formação de grupos de apoio à amamentação e encaminhar as mães a esses grupos na alta do hospital ou clínica.

Fonte: Proteger, promover e apoiar Amamentação: O Papel Especial dos Serviços de Maternidade, uma declaração conjunta da OMS / UNICEF. Comunicado divulgado pela Organização Mundial de Saúde.

“Parto com dignidade! Dentro da maternidade!”

A Marcha pela Humanização do Parto acabou de acontecer na Av. Paulista, contando com muitas gestantes, mães e bebês. Todos se reuniram na Praça Osvaldo Cruz, de onde sairam para a Marcha até o final da Avenida, acabando com um mamaço, em comemoração à Semana de Amamentação. Durante a Marcha, as mães gritavam em coro frases como “Doutor, cê não me engana, cesariana é que dá mais grana!” , “Parto com dignidade! Dentro da maternidade!” ou “Cremerj, intrometido, eu quero minha doula comigo!”, em referência à proibição da Cremerj.

Veja abaixo algumas fotos da Marcha pela Humanização do Parto:

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Dra. Anke Riedel, da Casa Ângela, dá dicas de como lidar com dificuldades na hora de amamentar

Dra. Anke Riedel, coordenadora da Casa de parto Ângela.

 

A Aliança pela Infância conversou com a Dra. Anke Riedel, coordenadora da Casa Ângela, casa de parto de referência em São Paulo. Ela nos explicou um pouco sobre como passar por algumas dificuldades na hora da amamentação. Além disso, explicou como acontece o trabalho da Casa Ângela.

Aliança pela Infância: Qual a importância do aleitamento materno?

Anke Riedel:

Além da grande fonte nutricional que é o leite materno, acredito que o vínculo afetivo é um ponto muito importante na amamentação. É ele que vai dar base para futuros relacionamentos afetivos que o bebê terá em sua vida. Além disso, é um momento de aconchego, calor, satisfação, conforto físico e emocional para a mãe e o bebê. É preciso cuidar da amamentação como um momento íntimo para os dois.

Mas não somos radicais. Se, por motivos de saúde, a mãe não consegue amamentar, não é por isso que o bebê não terá vínculos com ela ou com outras pessoas. Um bebê que tem uma mãe como referência afetiva e como cuidadora também terá grandes laços com ela.

Aliança pela Infância: Qual é o trabalho desenvolvido pela Casa Ângela?

Anke Riedel:

Nós trabalhamos com pré-natal, parto humanizado, pós-parto, amamentação, consultas pediátricas, coleta de leite materno, planejamento familiar e fazemos visitas domiciliares.

Começamos com um trabalho para jovens de educação sexual afetiva, em que trabalhamos os temas de sexualidade, gravidez, parto e amamentação. Acompanhamos o pré-natal das mulheres que atendemos, já conversando com elas sobre a amamentação.

Acreditamos no parto humanizado, evitamos ao máximo o uso de intervenções obstétricas que interferem negativamente na evolução natural do trabalho de parto. Nossa estrutura física garante privacidade e individualidade durante toda a estadia na casa. Durante todo o trabalho de parto, parto e pós-parto mantemos vigilância no bem estar de mãe e bebê. Contamos com uma equipe treinada para qualquer eventualidade incluindo ambulância nas 24 horas caso haja necessidade de transferência.

Depois que o bebê nasce, ele vai para o colo da mãe para mamar na primeira hora de vida, assim, ele aprende naturalmente a pegar o peito e as chances de problemas na amamentação diminuem consideravelmente. Temos plantão de apoio 24h às mães, para ajudá-las nos primeiros momentos com seus bebês, nas dificuldades que venham a enfrentar e nas dúvidas que venham a ter. Fazemos visitas domiciliares e internações caso sejam necessárias.

Aliança pela Infância: Quais são as maiores dificuldades na hora de amamentar e quais os conselhos e trabalhos da Casa Ângela nesse sentido?

Anke Riedel:

As primeiras duas semanas são as mais difíceis para a mãe e é quando mais precisam de apoio. Nos primeiros 5 dias, os peitos incham e as mães podem ter febre. Muitas vezes a pega do peito não correta pode machucar o mamilo da mãe, provocando rachaduras, chegando às vezes a sangrar.

O peito pode também inchar e ficar empredrado, o que chamamos de engurgitamento. Nesses momentos, ajudamos as mulheres com tecnicas de massagem e terapias para que o quadro dos seios melhore. Além disso, é preciso às vezes ensinar o bebê a pegar o bico da mãe e sugar para conseguir mamar.

Muitas vezes, quando a mãe não consegue amamentar, ela acaba sofrendo pressão dos familiares para que dê outro leite para seu bebê. Esse estresse é mais prejudicial ainda para amamentação. Aconselhamos a procura das mães por especialistas e referências humanizadas que possam ajudá-las.

Aliança pela Infância: Qual a importância da Semana de Amamentação?

Anke Riedel:

A amamentação é algo simples que acabou se tornando complexo. É preciso levar informação para as mães para que o tema volte a ser natural para elas e elas se sintam à vontade para amamentar. Está aí a importância da Semana de Amamentação.

Além disso, pesquisas mostram que os países onde há maiores índices de mortalidade infantil são os países com menores  indicadores de aleitamento materno.

Trocas de experiências marcaram o segundo dia da Semana de Amamentação

Segundo dia de evento da Semana de Amamentação da Casa Ângela.

Enquanto aprendiam a fazer móbiles de feltro, as mães trocavam experiências e tiravam dúvidas sobre amamentação.

No segundo dia de evento da Semana de Amamentação da Casa Ângela, as enfermeiras ensinaram as mães a fazerem móbiles de feltro, como este que você pode ver na foto abaixo.

Enquanto faziam os trabalhos manuais, as mães trocavam experiências sobre amamentação com as outras. Como foi amamentar seu bebê, as dificuldades e prazeres da amamentação, conciliar com o trabalho ou abdicar de trabalhar por um tempo e quando parar de amamentar foram assuntos comentados.

Além disso, as enfermeiras tiraram algumas dúvidas também. Quando começar a dar outros alimentos? Depois dos seis meses de amamentação exclusiva. Mas esse alimento pode ser em pedaços?  A partir de um ano de idade, somente, que o bebê pode comer o mesmo que nós, mas ainda assim, é recomendado amassar um pouco com a colher. Eu posso colocar açúcar no suco ou na papinha? É melhor não. A alimentação do bebê é como uma página em branco. Tirando com o leite materno, ele não tem experiências com os paladares. Quanto mais saudável e natural for a alimentação complementar, melhor para o bebê. É normal ficar com sono quando amamentamos? Sim, é normal. Mas se deve tomar muito cuidado com a segurança do bebê nesses momentos, cuidado para não dormir com ele no colo sem outras pessoas por perto.

Abertura da Semana de Amamentação na Casa Ângela

Na quarta, dia 01 de agosto, aconteceu o evento de abertura da Semana da Amamentação na Casa Ângela. Ele começou com uma apresentação sobre a Semana e a importância do tema, feita pela Enfermeira Romilda Dias. Houve uma fala da coordenadora, Anke Riedel, que apresentou a camiseta do evento.

Em seguida, foi a hora da apresentação do teatro “Amamentando com Paixão”, que teve atuação da funcionárias da Casa. Ele tratou da dificuldade de uma mãe em cuidar de seu recém-nascido, em um ambiente com muitos ruídos e com pessoas que a incentivavam a desistir da amamentação. Foi mostrado que não se pode dar leite de vaca para os bebês, que se deve trocar a fralda frequentemente e que se deve tomar muito cuidado com o aleitamento, que deve ser feito em um ambiente tranquilo e em um momento íntimo entre mãe e bebê.

Mãe, pai e bebê

“Ele não é bezerro para tomar leite de vaca!”

Interação com a plateia

Logo após a peça, chegou o momento do resultado do Concurso de Fotos. Veja abaixo as duas fotos que ficaram em primeiro lugar!

1° Lugar do Concurso de Fotos – A

1° Lugar do Concurso de Fotos – B

Ao final, houve uma confraternização e ficou o convite para a participação nas próxima atividades.

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Em breve aqui no blog… Fique de olho!

– Entrevista com Anke Riedel, sobre os cuidados com a amamentação e suas dificuldades nos primeiros dias do recém-nascido

– Roda de amamentação na Casa Ângela

Por que a amamentação é tão importante?

A Aliança pela Infância acredita no aleitamento materno como fonte de vínculo, nutrição e desenvolvimento da criança. Assim, a Campanha Nacional da Amamentação faz parte das nossas campanhas anuais. Ela será realizada entre os dias 01 e 07 de agosto, seguindo o calendário da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O aleitamento materno tem diversos benefícios, não só para os bebês, mas também para as mães. A amamentação satisfaz tanto as necessidades físicas quanto as emocionais do lactente, fortalecendo os laços entre mãe e filho. Ele proporciona nutrição de alta qualidade para a criança, contendo anticorpos que ajudam a proteger o bebê contra muitas doenças infantis. Assim, ele reduz a mortalidade infantil e a incidência de doenças infecciosas. Além disso, o aleitamento contribui para a saúde da mulher, reduzindo riscos de certos tipos de câncer e de anemia, quando bem adotado, ele ainda proporciona satisfação às mães.

Pesquisas recentes mostram que todos esses benefícios aumentam com a exclusividade do aleitamento durante os 6 primeiros meses de vida do bebê . O aleitamento materno, entretanto, pode ser um processo dolorido para a mãe. Muitos problemas fazem parte do cenário que pode dificultar o exercício desta prática.O mercado de trabalho muitas vezes não respeita a conquista legal das mães terem duas horas a menos na carga horária de trabalho. Alguns centros de saúde não têm subsídios técnicos e humanizados, não dispondo de informações e ações adequadas para promover esta prática. Por fim, vivemos ainda a incidência de propaganda e promoção inadequada de produtos alimentícios artificiais.

Hoje são criados produtos artificiais parecidos com o leite materno, usados para substituí-lo em casos específicos, como quando alguns bebês nascem com alergias ao leite materno e/ou refluxos específicos e constantes.  É preciso lembrar que, muitas vezes, os “substitutos” não seguem as normas indicadas pelo Código Internacional de Comercialização de Substitutos do Leite Materno (clique aqui para acessá-lo), criado em 1981, pelas OMS e Unicef.